quarta-feira, 25 de setembro de 2013

CARTA DE BENTO XVI




BENTO XVI ESCREVE CARTA A MATEMÁTICO SOBRE QUESTÕES DA FÉ

O Papa emérito Bento XVI escreveu ao matemático e escritor italiano Piergiorgio Odifreddi, que em 2011 publicou a obra ‘Caro Papa, escrevo-te’, para responder a algumas das suas críticas e questões sobre Jesus e a Igreja.

A carta, parcialmente divulgada, nesta terça-feira, 24, pelo jornal italiano ‘La Reppublica’, assume uma crítica “dura”, mas franca, às posições de Odifreddi sobre a historicidade de Jesus e a relação entre a Teologia e o mundo científico.

“Aquilo que diz sobre a figura de Jesus não é digno do seu nível científico”, escreve Bento XVI, após o matemático italiano ter afirmado que sobre Cristo não se saberia nada, do ponto de vista histórico, recomendando ao seu interlocutor a leitura da obra de Martin Hengel (publicada em conjunto com Maria Schwemer), exegeta protestante.

Bento XVI, autor de uma trilogia sobre ‘Jesus de Nazaré, nega ter desvalorizado a exegese histórico-crítica dos evangelhos e diz nesta carta que a mesma é “necessária para uma fé que não propõe mitos com imagens históricas, mas reclama uma verdadeira historicidade”.

“Por isso, também não é correto que afirme que eu me teria apenas interessado pela meta-história: pelo contrário, todos os meus esforços têm o objetivo de mostrar que o Jesus descrito nos evangelhos é também o real Jesus histórico”, acrescenta o Papa emérito.

Bento XVI responde também às observações de Piergiorgio Odifreddi a respeito dos casos de abusos sexuais de menores por parte de sacerdotes, começando por mostrar “profunda consternação”.

“Eu procurei desmascarar estas coisas: que o poder do mal penetre até este ponto no mundo interior da fé é um sofrimento para nós”, sublinha, antes de frisar que a Igreja vai fazer “todos os possíveis para que tais casos não se repitam”.

Segundo o Papa emérito, que governou a Igreja entre abril de 2005 e fevereiro deste ano, não é “lícito” calar os problemas das comunidades católicas, mas isso não deve fazer esquecer “o grande rasto luminoso de bondade e pureza que a fé cristã deixou ao longo dos séculos”.

“Ainda hoje, a fé leva muitas pessoas ao amor desinteressado, ao serviço aos outros, à sinceridade e à justiça”, refere.

A resposta de Bento XVI chegou à casa do matemático italiano no dia 3 deste mês, escrita em 11 páginas com data de 30 de agosto.

A carta agradece pelo confronto “leal” de ideias e manifesta o “proveito” tirado de algumas das passagens do livro de Odifreddi, sem deixar de observar “uma certa agressividade e descuido na argumentação” do autor.

Joseph Ratzinger deixa críticas, em particular, ao que chama de “religião matemática” que deixaria de fora questões “fundamentais” da existência humana, como “a liberdade, o amor e o mal”.

“A sua religião matemática não tem qualquer informação sobre o mal. Uma religião que descura estas questões fundamentais fica vazia”, responde a Piergiorgio Odifreddi.

Neste contexto, Bento XVI destaca a necessidade de “manter a religião ligada à razão e a razão à religião”, pedindo que se reconheça que a Teologia produziu resultados “no âmbito histórico e no do pensamento filosófico”.

A carta refuta a acusação de que a Teologia seria apenas “ficção científica” e aponta o dedo às teorias sobre a origem do homem e do universo que apresentam “imaginações” com as quais se procura “aproximar-se da realidade”.

sábado, 21 de setembro de 2013

PAPA FRANCISCO PEDE CALOR PARA O ENCONTRO COM CRISTO



Aos comunicadores católicos, Francisco pede que transmitam calor e levem ao encontro com Cristo

O Papa Francisco recebeu na manhã deste sábado os participantes da Plenária do Pontifício Conselho das Comunicações Sociais (PCCS), que se encerra hoje no Vaticano, sobre o tema “A rede e a Igreja”.

Em seu discurso, o Papa falou da importância da comunicação para a Igreja, recordando de modo especial os 50 anos da aprovação do Decreto Conciliar Inter mirifica. Nas últimas décadas, analisou, os meios de comunicação evoluíram muito, mas a solicitude permanece, assumindo novas sensibilidades e formas.

Pouco a pouco o panorama da comunicação foi-se tornando, para muitos, um «ambiente de vida», uma rede onde as pessoas comunicam, alargam as fronteiras dos seus conhecimento e das suas relações. Sublinho sobretudo estes aspectos positivos, apesar de todos estarmos cientes dos limites e fatores nocivos que também existem.

Neste contexto, independentemente das tecnologias, a comunicação na Igreja deve ter como objetivo inserir-se no diálogo com os homens e as mulheres de hoje, para compreender as suas expectativas, dúvidas, esperanças.

São homens e mulheres por vezes um pouco desiludidos por um Cristianismo que lhes parece estéril, com dificuldade precisamente em comunicar de forma incisiva o sentido profundo que a fé dá. Com efeito, analisou o Pontífice, assistimos hoje, na era da globalização, a um aumento da desorientação, da solidão, a dificuldade em tecer laços profundos. Assim, é importante saber dialogar, entrando, com discernimento, também nos ambientes criados pelas novas tecnologias, nas redes sociais, para fazer emergir uma presença que escuta, dialoga, encoraja.

“Não tenhais medo de ser esta presença, afirmando a vossa identidade cristã ao fazer-vos cidadãos deste ambiente. Uma Igreja companheira de estrada sabe pôr-se a caminho com todos!”, encorajou o Pontífice

Esta presença é necessária para levar ao encontro com Cristo. A Igreja é capaz disto?, questionou o Papa. “Também aqui no contexto da comunicação, é preciso uma Igreja que consiga levar calor, inflamar o coração. Temos um precioso tesouro para transmitir, um tesouro que gera luz e esperança. E há tanta necessidade disso!”, afirmou, alertando para uma cuidadosa e qualificada formação de sacerdotes, religiosos, religiosas e leigos.

Queridos amigos, é importante a atenção e a presença da Igreja no mundo da comunicação, para dialogar com o homem de hoje e levá-lo ao encontro de Cristo, na certeza, porém, de que somos meios e que o problema fundamental não é a aquisição de tecnologias sofisticadas, embora necessárias para uma presença atual e válida. Esteja sempre bem claro em nós que o Deus em quem acreditamos, um Deus apaixonado pelo homem, quer manifestar-Se através dos nossos meios, ainda que pobres, porque é Ele que opera, é Ele que transforma, é Ele que salva a vida do homem.
(BF)

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

MARIA NOME ABENÇOADO




Aquela palavra meiga que é o nome abençoado de Maria

Por tradição, no dia 12 de Setembro a Igreja comemora o nome de Maria, dando continuidade a um motivo expressamente bíblico e histórico-salvífico. Na narração das Escrituras, o «nome» indica a pessoa e, em diversos casos, a «missão» que providencialmente Deus confia para o bem do povo.

Com efeito, a pessoa é inseparável da comunidade à qual pertence. Portanto, o «nome» representa um lugar de encontro entre o indivíduo, a família que o gerou, o povo ao qual esta família pertence. Neste sentido, o «nome» manifesta uma concepção da pessoas nos antípodes do individualismo ocidental moderno e pós-moderno: se aqui cada um vale porque «se fez a si mesmo», na fé bíblica cada um vale porque é o fruto de uma comunhão profunda na qual o passado é um dom a ser acolhido para viver com justiça e rectidão o futuro, não uma limitação irracional da liberdade de cada um.

Escolhendo chamar a própria filha Maria, os seus pais, Joaquim e Ana segundo o Evangelho apócrifo do «Protoevangelho de Joaquim» ou «Natividade de Maria», quiseram doar-lhe o maior tesouro da fé de Israel: a libertação do Egipto, realizada pelo Senhor. De facto, Maria era o nome da irmã de Moisés, a profetisa que conforme o livro do Êxodo guiou as mulheres para que louvassem a Deus pela passagem do Mar Vermelho (cf. Êxodo, 15, 19-21).

Rica do dom deste tesouro, expressado e concretizado pelo seu «nome», Maria de Nazaré pode descobrir-se e compreender-se como mulher chamada ao serviço e à profecia: ou seja, mulher chamada a encontrar o Deus vivente e a esperar dele o cumprimento do êxodo e da libertação definitivos, que adquirirão forma nos tempos messiânicos.

O «nome» recebido pelos seus pais é, por conseguinte, para Maria, uma verdadeira «vocação», porque compromete a viver do modo digno daquele Deus que «disse a Moisés: “Fala a toda a assembleia dos filhos de Israel e diz-lhes: sede santos, porque Eu sou santo”» (Levítico 19, 1-2); o mesmo Deus que tinha, sucessivamente, prometido a vinda do Emanuel, do rebento justo na casa de David (cf. Isaías 7, 14; Jeremias 33, 14-17).

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

TUÍTES DO PAPA FRANCISCO



Tuítes de Francisco vistos por 60 milhões

“Mais de 9 milhões e 300 mil seguidores e, graças aos retweets, pelo menos 60 milhões de pessoas alcançadas em smartphones e tablets pelos tweets do Santo Padre, sem falar nos 260 mil navegadores que nas várias línguas visitam as nossas páginas do portal www.news.va através do Facebook”. (n.d.r. - A página do Facebook do Programa Brasileiro tem recebido mais de 1 milhão de visitas semanais).

São as cifras recordes da presença do Papa Francisco nas redes sociais nos primeiros seis meses de Pontificado, um sucesso midiático que “poucos outros líderes a nível mundial podem atingir”, segundo afirmou o Presidente do Pontifício Conselho das Comunicações Sociais, Arcebispo Claudio Maria Celli. "Isto é evangelização, é proximidade, é partilha: isto que a Igreja quer ser", observou.

O prelado falou ao L’Osservatore Romano sobre o tema, às vésperas da Plenária do Dicastério que terá início em 19 de setembro e se concluirá no dia 21 com a Audiência com o Santo Padre.

"A partir de um estudo dos conteúdos, verificamos que as mensagens de maior sucesso são aquelas que apresentam o anúncio evangélico. O demonstram - acrescenta - também os comentários e interações com os visitantes do portal News.va, onde as páginas mais procuradas são aquelas que apresentam temas de espiritualidade, como por exemplo, aqueles pertinentes aos textos do Papa e dos Padres da Igreja. Neste sentido, eu diria que existe uma dimensão missionária no serviço que desenvolvemos, reconheceu Dom Celli. Neste setor, a nossa vocação de anúncio e as perspectivas da nossa comunicação se abrem ao mundo inteiro, com grande desejo de um diálogo respeitoso com todos, através uma mensagem válida e usando uma linguagem facilmente compreensível".

“Decidimos então analisar a ligação entre ‘a Rede e a Igreja’ – explicou Dom Celli – a propósito dos trabalhos da assembléia. Para compreender os motivos desta escolha é necessário dar um pequeno passo atrás, a Bento XVI, que na sua última mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais falou amplamente da rede num sentido positivo e desejando uma presença profundamente evangelizadora da Igreja na WEB”.

"A decisão de Bento XVI de usar o Twitter - acrescentou - foi profética, pois nos permite chegar a todos os cantos do mundo. A isto acrescenta-se a capacidade do Papa Francisco de comunicar através breves mensagens, que tornam-se pílulas de sabedoria, de luz, de verdade, pílulas de espiritualidade". (JE)

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

IGREJA SOMOS TODOS DIZ O PAPA




"A Igreja não está formada somente pelos padres, a Igreja somos todos", diz o Papa

O Papa Francisco retomou nesta manhã as catequeses sobre a Igreja neste Ano da Fé e, ante umas cinquenta mil pessoas presentes na Praça de São Pedro, explicou que a Igreja é mãe e que todos somos parte dela, não só os bispos "e os padres".

"Às vezes ouço: ‘Eu creio em Deus, mas não na Igreja… Ouvi que a Igreja diz… os padres dizem…’. Mas uma coisa são os padres, mas a Igreja não é formada somente de padres, a Igreja somos todos! E se você diz que crê em Deus e não crê na Igreja, está dizendo que não acredita em si mesmo; e isto é uma contradição".

O Papa Francisco disse que "a Igreja somos todos: da criança recentemente batizada aos Bispos, ao Papa; todos somos Igreja e todos somos iguais aos olhos de Deus! Todos somos chamados a colaborar ao nascimento à fé de novos cristãos, todos somos chamados a ser educadores na fé, a anunciar o Evangelho... Todos participamos da maternidade da Igreja, todos somos Igreja, a fim de que a luz de Cristo alcance os extremos confins da terra. E viva à santa mãe Igreja!".

O Santo Padre refletiu em torno da maternidade da Igreja, recordando que "entre as imagens que o Concílio Vaticano II escolheu para fazer-nos entender melhor a natureza da Igreja, há aquela da ‘mãe’: a Igreja é nossa mãe na fé, na vida sobrenatural".

"Para mim, é uma das imagens mais belas da Igreja: a Igreja mãe! Em que sentido e de que modo a Igreja é mãe? Partamos da realidade humana da maternidade: o que faz uma mãe?".

"Antes de tudo, uma mãe gera a vida, leva no seu ventre por nove meses o próprio filho e depois o abre à vida, gerando-o. Assim é a Igreja: nos gera na fé, por obra do Espírito Santo que a torna fecunda, como a Virgem Maria".

Certamente, prosseguiu o Santo Padre, "a fé é um ato pessoal... mas eu recebo a fé dos outros, em uma família, em uma comunidade que me ensina a dizer "eu creio", "nós cremos". Um cristão não é uma ilha! Nós nãos nos tornamos cristãos em laboratório, não nos tornamos cristãos sozinhos e com as nossas forças, mas a fé é um presente, é um dom de Deus que nos vem dado na Igreja e através da Igreja".

"E a Igreja nos doa a vida de fé no Batismo: aquele é o momento no qual nos faz nascer como filhos de Deus, o momento no qual nos dá a vida de Deus, nos gera como mãe... Isto nos faz entender uma coisa importante: o nosso fazer parte da Igreja não é um fato exterior e formal, não é preencher um cartão que nos deram, mas é um ato interior e vital; não se pertence? à Igreja como se pertence a uma sociedade, a um partido ou a qualquer outra organização. O vínculo é vital, como aquele que se tem com a própria mãe, porque, como afirma Santo Agostinho, a ‘Igreja é realmente mãe dos cristãos’".

O Papa ressaltou que "uma mãe não se limita a gerar a vida, mas com grande cuidado ajuda os seus filhos a crescer, dá a eles o leite, alimenta-os, ensina-lhes o caminho da vida, acompanha-os sempre com a sua atenção, com o seu afeto, com o seu amor, mesmo quando são grandes. E nisto sabe também corrigir, perdoar, compreender, sabe ser próxima na doença, no sofrimento. Em uma palavra, uma boa mãe ajuda os filhos a sair de si mesmos, a não permanecer comodamente debaixo das asas maternas".

"A Igreja, como boa mãe, faz a mesma coisa: acompanha o nosso crescimento transmitindo a Palavra de Deus, que é uma luz que nos indica o caminho da vida cristã; administrando os Sacramentos. Alimenta-nos com a Eucaristia, traz a nós o perdão de Deus através do Sacramento da Penitência, sustenta-nos no momento da doença com a Unção dos enfermos. A Igreja nos acompanha em toda a nossa vida de fé, em toda a nossa vida cristã".

Francisco assinalou que nos primeiros séculos da Igreja havia uma realidade muito clara: "a Igreja, enquanto é mãe dos cristãos, enquanto ‘forma’ os cristãos, é também ‘formada’ por eles. A Igreja não é algo diferente de nós mesmos, mas é vista como a totalidade dos crentes, como o "nós" dos cristãos: eu, você, todos nós somos parte da Igreja".

domingo, 8 de setembro de 2013

EVANGELHO DE LUCAS




Reflexão Evangelho São Lucas 6,1-5

Por que fazeis o que não é permitido em dia de sábado?

Num sábado, Jesus estava passando 
através de plantações de trigo. 
Seus discípulos arrancavam e comiam as espigas, 
debulhando-as com as mãos. 
Então alguns fariseus disseram: 
Por que fazeis 
o que não é permitido em dia de sábado?' 
Jesus respondeu-lhes: 
Acaso vós não lestes 
o que Davi e seus companheiros fizeram, 
quando estavam sentindo fome? 
Davi entrou na casa de Deus, 
pegou dos pães oferecidos a Deus e os comeu, 
e ainda por cima os deu a seus companheiros. 
No entanto, só os sacerdotes podem comer desses pães.' 
E Jesus acrescentou: 
O Filho do Homem é senhor também do sábado.

Palavra da Salvação. 

Reflexão

É muito fácil a gente ver o que as pessoas estão fazendo e, a partir da aparência dos seus atos e de princípios previamente estabelecidos, emitir os nossos juízos e opiniões. 
O Evangelho de hoje mostra para nós os erros que podemos incorrer com este tipo de comportamento. Podemos fazer com que Deus se torne o grande opressor da humanidade, porque é um grande ditador e está à espera para punir a todos os que lhe desobedecem e não um Pai amoroso e podemos também deixar de olhar a realidade das pessoas e as suas motivações, que podem modificar profundamente a nossa opinião a respeito delas.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

PARA CADA CRISTÃO, JESUS TEM UMA PROMESSA



Papa Francisco: para cada cristão, Jesus tem uma promessa e uma missão - Cidade do Vaticano (RV)

“Tenho medo da graça que passa sem que eu perceba.” Com esta citação de Santo Agostinho, o Papa Francisco iniciou a homilia da Missa da manhã desta quinta-feira, celebrada na Casa Santa Marta. O Papa refletiu sobre os modos com os quais Cristo se manifesta na vida de um cristão, comentando o trecho do Evangelho em que Jesus se mostra a Pedro, Tiago e João com o sinal da pesca milagrosa.

Desconcertado, Pedro é confortado por Jesus, que promete fazer dele “pescador de homens”. Depois o convida a deixar tudo para segui-lo e lhe confia uma missão. Ou seja, Deus se manifesta com três atitudes: através de uma promessa, de um pedido de generosidade e de uma missão a realizar.

No caso dos Apóstolos, observou o Papa, o Senhor passou na vida deles com um milagre. Nem sempre assim, contudo Ele está sempre presente:

“Quando o Senhor vem na nossa vida, quando passa no nosso coração, sempre diz uma palavra e uma promessa: ‘Avante... com coragem, sem medo, porque fará isso!’. Ou seja, é um convite à missão, um convite a segui-Lo. Quando ouvimos esta promessa, é porque há algo na nossa vida que devemos corrigir, e o fazemos para segui-Lo mais de perto.”

Todavia, garantiu Francisco, Jesus não pede para largar tudo por um fim obscuro. Ao contrário, o objetivo é imediatamente declarado e é um objetivo dinâmico:

“Jesus jamais diz ‘Siga-me!’, sem dizer a missão. Não! ‘Siga-me e farei isso. Siga-me por este motivo. Se quiser ser perfeito, deixe tudo e siga-me para ser perfeito’. Há sempre uma missão. Seguimos o caminho de Jesus para fazer algo, não é um show, mas para realizar uma missão.”

Promessa, pedido e missão, portanto, não dizem respeito somente à nossa vida ativa, mas também à oração. Não existe uma oração sem uma palavra de Jesus, não há oração em que Ele não nos inspire a fazer algo:

“Uma verdadeira oração cristã é ouvir o Senhor com a sua palavra de conforto, de paz e de promessa. Isso não quer dizer que não existem tentações. Há muitas! Pedro pecou gravemente, renegando Jesus, mas depois o Senhor o perdoou. Tiago e João pecaram de carreirismo, querendo ir mais alto, mas o Senhor os perdoou.”

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

O MATERIALISMO E A FÉ



Desde o início, a fé‚ cristã tem-se confrontado com respostas diferentes da sua no que diz respeito à questão das origens. Assim, encontram-se nas religiões e nas culturas antigas numerosos mitos acerca das origens.
Certos filósofos afirmaram que tudo‚ é Deus, que o mundo é Deus, ou que o devir do mundo é o devir de Deus (panteísmo); outros afirmaram que o mundo é uma emanação necessária de Deus, emanação esta que deriva dessa fonte e volta a ela; outros ainda afirmaram a existência de dois princípios eternos, o Bem e o Mal, a Luz e as Trevas, em luta permanente entre si (dualismo, maniqueísmo); segundo algumas dessas concepções, o mundo (pelo menos o mundo material) seria mau, produto de uma queda, e portanto deve ser rejeitado ou superado (gnose); outros admitem que o mundo tenha sido feito por Deus, mas à maneira de um relojoeiro que, uma vez terminado o serviço, o teria abandonado a si mesmo (deísmo); outros, finalmente, não aceitam nenhuma origem transcendente do mundo, vendo neste o mero jogo de uma matéria que teria existido sempre (materialismo). Todas essas tentativas dão prova da permanência e da universalidade da questão das origens. Esta busca é própria do homem.

O termo ateísmo abrange fenômenos muito diversos. Uma forma freqüente é o materialismo prático, de quem limita suas necessidades e suas ambições ao espaço e ao tempo.
O humanismo ateu considera falsamente que o homem é "seu próprio fim e o único artífice e demiurgo de sua própria história".
Outra forma de ateísmo contemporâneo espera a libertação do homem pela via econômica e social, sendo que "a religião, por sua própria natureza, impediria esta libertação, na medida em que, ao estimular a esperança do homem numa quimérica vida futura, o desviaria da construção da cidade terrestre".

A MENTIRA


Condenação da mentira

Condenação da mentira

A mentira é condenável em sua natureza. E uma profanação da palavra que tem por finalidade comunicar a outros a verdade conhecida. O propósito deliberado de induzir o próximo em por palavras contrárias à verdade constitui uma falta à justiça e à caridade. A culpabilidade é maior quando a intenção de enganar acarreta o risco de conseqüências funestas para aqueles são desviados da verdade.

Definição e significação da mentira

 "A mentira consiste em dizer o que é falso com a intenção de enganar." O Senhor denuncia na mentira uma obra diabólica: "Vós sois do diabo, vosso pai, . . nele não há verdade: quando ele mente, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira" (Jo 8,44).

 Diabo pai da mentira 

A Escritura fala de um pecado desses anjos. Esta "queda" consiste na opção livre desses espíritos criados, que rejeitaram radical e irrevogavelmente a Deus e seu Reino. Temos um reflexo desta rebelião nas palavras do Tentador ditas a nossos primeiros pais: "E vós sereis como deuses" (Gn 3,5). O Diabo é "pecador desde o princípio" (1Jo 3,8), "pai da mentira" (Jo 8,44).

Discernimento da verdade e da mentira

A lei moral natural O homem participa da sabedoria e da bondade do Criador, que lhe confere o domínio de seus atos e a capacidade de se governar em vista da verdade e do bem. A lei natural exprime o sentido moral original, que permite ao homem discernir, pela razão, o que é o bem e o mal, a verdade e a mentira.

A lei natural se acha escrita e gravada na alma de todos e de cada um dos homens, porque ela é a razão humana ordenando fazer o bem e proibindo pecar. (...) Mas esta prescrição da razão não poderia ter força de lei se não fosse a voz e o intérprete de uma razão mais alta, à qual nosso espirito e nossa liberdade devem submeter-se.

O Espírito Santo nos faz discernir entre a provação, necessária ao crescimento do homem interior em vista de uma "virtude comprovada", e a tentação, que leva ao pecado e à morte. Devemos também discernir entre "ser tentado e consentir" na tentação. Por fim, o discernimento desmascara a mentira da tentação: aparentemente, seu objeto é "bom, sedutor para a vista, agradável" (Gn 3,6), ao passo que, na realidade, seu fruto é a morte.

Deus não quer impor o bem, ele quer seres livres... Para alguma coisa a tentação serve. Todos, com exceção de Deus, ignoram o que nossa alma recebeu de Deus, até nós mesmos. Mas a tentação o manifesta, para nos ensinar a conhecer-nos e, com isso, descobrir-nos nossa miséria e nos obrigar a dar graças pelos bens que a tentação nos manifestou.

Gravidade da mentira

A gravidade da mentira se mede segundo a natureza da verdade que ela deforma, de acordo com as circunstâncias, as intenções daquele que a comete, os prejuízos sofridos por aqueles que são suas vítimas. Embora a mentira, em si, não constitua senão um pecado venial, torna-se mortal quando fere gravemente as virtudes da justiça e da caridade.

 A mentira (por ser uma violação da virtude da veracidade) é uma verdadeira violência feita ao outro porque o fere em sua capacidade de conhecer, que é a condição de todo juízo e de decisão. Contém em germe a divisão dos espíritos e todos os males que ela suscita. A mentira é funesta para toda a sociedade; mina a confiança entre os homens e rompe o tecido das relações sociais.

Mentira do Tentador início do pecado

 "O princípio de tua palavra é a verdade, tuas normas são justiça para sempre" (Sl 19,160). "Sim, Senhor Deus, és tu que és Deus, tuas palavras são verdade" (2Sm 7,28); é por isso que as promessas de Deus sempre se realizam. Deus é a própria Verdade, suas palavras não podem enganar. É por isso que podemos entregar-nos com toda a confiança à verdade e à fidelidade de sua palavra em todas as coisas. O começo do pecado e da queda do homem foi uma mentira do tentador que induziu duvidar da palavra de Deus, de sua benevolência e fidelidade.

Mentira ofensa contra a verdade

A mentira é a ofensa mais direta à verdade. Mentir é falar ou agir contra a verdade para induzir em erro. Ferindo a relação do homem com a verdade e com o próximo, a mentira ofende a relação fundante do homem e de sua palavra com o Senhor.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

NUNCA MAIS A GUERRA



Nunca mais a guerra! Nunca mais a guerra!

Diante de Deus e diante da história

Retomando antes da oração do Angelus e depois twitando a invocação de Paulo VI diante das Nações unidas, o Papa Francisco fez-se intérprete de um grito que – quis recordar – se eleva «da única grande família que é a humanidade», sem distinções. É fácil e amarga a constatação de que nem todos no mundo querem e constroem a paz, mas certamente a aspiração pela paz está difundida em toda a parte, face aos conflitos muitas vezes esquecidos. Como agora, e cada vez mais, diante da tragédia que há mais de dois anos na Síria fez dezenas de milhares de vítimas, sobretudo civis, causando fluxos imponentes e crescentes de refugiados desesperados.

Por isso mais uma vez a voz do bispo de Roma – que se disse ferido por quanto está a acontecer e sobretudo «angustiado pelo dramático andamento que se perspectiva» - eleva-se com força para condenar o uso das armas, e «com particular firmeza» o emprego das armas químicas:

«Digo-vos que tenho ainda gravadas na mente e no coração as terríveis imagens dos dias passados!» exclamou o Papa Francisco, que logo a seguir pronunciou palavras severas, sobre as quais os responsáveis das nações têm o dever de refletir:

«Há um juízo de Deus e também um juízo da história sobre as nossas acções, aos quais não podemos escapar!».

Toda a intervenção do Pontífice foi dedicada à situação internacional, um cenário no qual há demasiado tempo e sem trégua se multiplicam os conflitos, mas que nestas semanas está cada vez mais marcado pelo exacerbar-se feroz da tragédia síria. Por conseguinte, num contexto muito preocupante e com desenvolvimentos imprevisíveis o Papa Francisco repete que é indispensável e urgente abandonar a cultura do confronto e do conflito: de facto, o que constrói a convivência nos povos e entre os povos é «a cultura do encontro, a cultura do diálogo; esta é o único caminho para a paz», que a Santa Sé indica e pelo qual a sua diplomacia está a trabalhar de todas as formas possíveis.

As palavras do bispo de Roma dirigem-se explicitamente às partes em conflito e à comunidade internacional, mas é ainda mais significativa a chamada às palavras de João XXIII sobre a paz, isto é, que «todos têm a tarefa de recompor as relações de convivência na justiça e no amor». O Papa Francisco pede portanto que o compromisso pela paz «una todos os homens e mulheres de boa vontade», católicos, cristãos, pertencentes a todas as religiões e também «os irmãos e irmãs que não crêem».
E precisamente por isso o Pontífice alarga a todos o convite para o dia de jejum e de oração pela paz na Síria, no Médio Oriente e no mundo, que convocou com uma iniciativa sem precedentes, suscitando interesse e adesões muito além da Igreja católica.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Bob Sinclar - Love Generation ESTE É PARA TODA EQUIPE GÊNESIS

A AMEAÇA DO MEXERICO




A língua, a tagarelice, o mexerico são armas que todos os dias insidiam a comunidade humana, semeando inveja, ciumes e ganância do poder. Com elas chega-se até a matar uma pessoa. Portanto, falar de paz significa também pensar em quanto mal se pode fazer com a língua.

Foi profunda a reflexão proposta pelo Papa Francisco na homilia da missa celebrada na capela da Domus Sanctae Marthae, costume que foi retomado na manhã de segunda-feira 2 de Setembro.

O Papa inspirou-se na narração do regresso de Jesus a Nazaré, proposto por Lucas (4, 16-30) num dos mais «dramáticos» trechos do Evangelho, no qual – afirmou o Pontífice - «é possível ver como a nossa alma é realmente» e como o vento pode fazê-la voar de um lado para o outro. Em Nazaré, explicou o Papa, «todos esperavam Jesus. Queriam encontrá-lo. E ele foi ao encontro do seu povo. Pela primeira vez regressava ao seu país. E esperavam por ele, porque ouviram falar sobre tudo o que Jesus tinha feito em Cafarnaum, os milagres. E quando iniciou a cerimónia, como de costume, pediram que o hóspede lesse o livro. Jesus leu o livro do profeta Isaías, que era em parte a profecia sobre ele e, por esta razão, conclui a leitura dizendo: «Hoje cumpre-se esta escritura que vós ouvistes».

A primeira reacção, explicou o Pontífice, foi muito boa, todos o apreciavam. Contudo, depois na alma de alguns começou a insinuar-se a inveja e pretendiam que ele fizesse um milagre. «Eles – esclareceu o Pontífice – queriam o espectáculo. Mas Jesus não é um artista».

Jesus não fez milagres em Nazaré. Aliás, realçou a pouca fé dos que pediam o «espectáculo». O que começara de forma jubilosa ameaçava de se concluir com um crime, o assassínio de Jesus «devido aos ciúmes, à inveja». Mas não se trata só de um evento de há dois mil anos, evidenciou o bispo de Roma. «Isso acontece todos os dias – afirmou ainda – no nosso coração, nas nossas comunidades» todas as vezes que se acolhe alguém falando, no primeiro dia, bem dele e, depois, cada vez menos até chegar ao mexerico, quase para «o destruir». Quem, numa comunidade, fala mal contra um irmão acaba por «querer matá-lo», frisou o Pontífice. «O apóstolo João – recordou o Santo Padre – na primeira carta, capítulo 3, versículo 15, disse-nos isto: quem odeia no seu coração o seu irmão é um homicida». E o Papa acrescentou imediatamente,: «nós estamos habituados ao mexerico, à tagarelice» e, muitas vezes, transformamos as nossas comunidades e também a nossa família num «inferno», onde se manifesta esta forma de criminalidade que leva a «matar o irmão e a irmã com a língua».

«A Bíblia – continuou o Papa – diz que o demónio entrou no mundo por inveja. Uma comunidade, uma família pode ser destruída por esta inveja que o maligno ensina no coração e faz com que uns falem mal dos outros».

E referindo-se a quanto aconteceu nestes dias, sublinhou que é necessário pensar também nas nossas armas diárias: «a língua, a tagarelice, o mexerico».

Portanto, pergunta o Papa: como é possível construir uma comunidade? Do modo «como é o céu» respondeu; do modo como anuncia a Palavra de Deus: «Vem a voz do arcanjo, ao som das trombetas de Deus, o dia da ressurreição. E em seguida diz: e deste modo estaremos para sempre com o Senhor». Portanto, «para termos paz numa comunidade, numa família, num país, no mundo, devemos começar a estar com o Senhor. E onde está o Senhor não existe a inveja, a criminalidade, os ciúmes. Há fraternidade. Peçamos isto ao Senhor: nunca matar o próximo com a nossa língua e estar com o Senhor como todos nós estaremos no céu»

domingo, 1 de setembro de 2013

Para o bem da Comunidade humana



Para o bem da comunidade humana Autoridade eclesiástica e poder civil «são chamados a colaborar para o bem integral da comunidade humana», escreveu o Papa na mensagem enviada ao cardeal Koch por ocasião do XIII simpósio intercristiano que se realizou em Milão de 28 a 30 de Agosto.



Ao Venerado Irmão
 Senhor Cardeal Kurt Koch
Presidente do Pontifício Conselho
para a Promoção da Unidade dos Cristãos

É com particular alegria que tomei conhecimento da iniciativa dos Simpósios intercristãos, organizados a cada dois anos pelo Instituto Franciscano de Espiritualidade da Pontifícia Universidade Antonianum e pelo Departamento de Teologia da Faculdade Teológica Ortodoxa da Universidade Aristóteles de Salonica, com a finalidade de aprofundar o conhecimento das tradições teológicas e espirituais do Oriente e do Ocidente e de cultivar relações fraternas de amizade e de estudo entre os membros das duas instituições académicas.
Portanto, desejo dirigir a minha saudação cordial aos organizadores, aos relatores e a todos os participantes na XIII edição da benemérita iniciativa, que este ano se realiza em Milão, com a colaboração da Universidade Católica do Sagrado Coração, sobre o tema «A vida dos cristãos e o poder civil. Questões históricas e perspectivas actuais no Oriente e no Ocidente». Este tema insere-se oportunamente no quadro das múltiplas iniciativas que pretendem comemorar o XVII centenário da promulgação do Édito constantiniano, iniciativas que em Milão tiveram momentos de particular relevo, como a visita do Patriarca Ecuménico Bartolomeu I à Igreja ambrosiana e à cidade.
A decisão histórica, com a qual foi decretada a liberdade religiosa para os cristãos, abriu caminhos novos para a difusão do Evangelho e contribuiu de maneira determinante para o nascimento da civilização europeia.  A memória daquele acontecimento  oferece a oportunidade, para o presente Simpósio, de reflectir sobre o desenvolvimento das modalidades com as quais o mundo cristão se relaciona com a sociedade civil e com a autoridade que a preside. Tais modalidades desenvolveram-se ao longo da história em contextos muito diferentes, conhecendo diversificações significativas no Oriente e no Ocidente. Ao mesmo tempo, conservaram alguns traços fundamentais comuns, como a convicção de que o poder civil encontra o seu limite diante da lei de Deus, a reivindicação do justo espaço de autonomia para a consciência, o conhecimento de que a autoridade eclesiástica e o poder civil são chamados a colaborar para o bem integral da comunidade humana.
Formulando votos a fim de que os trabalhos do Simpósio produzam frutos abundantes para o progresso da pesquisa histórica e do conhecimento recíproco entre as diversas tradições, garanto a minha lembrança na oração e de coração concedo a Bênção Apostólica a quantos contribuíram para a organização desse Congresso e a todos os seus participantes.
Vaticano, 19 de Agosto de 2013.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Saiba como participar das audiências e cerimônias com o Papa Francisco



Saiba como participar das audiências e cerimônias com o Papa Francisco

Cada vez mais gente chega a Roma com o desejo de ver o Papa Francisco. O Pontífice tem dois encontros semanais fixos com os peregrinos: a oração do Ângelus que acontece aos Domingos na Praça de São Pedro e a audiência geral de toda quarta-feira.

A Prefeitura da Casa Pontifícia é o organismo do Vaticano que se encarrega de regular os bilhetes de entrada e informou como fazer para consegui-los. São sempre gratuitos, mas é preciso solicitá-los.

Ao Ângelus que acontecem todos os domingos e dias festivos se pode ir sem necessidade de bilhete. O Papa aparece da janela do apartamento pontifício e realiza uma breve catequese, reza o Ângelus e comenta questões de atualidade.

As audiências gerais das quartas-feiras começam às 10h30. Costumam ser na Praça de São Pedro, mas quando chove ou no inverno, celebram-se na sala Paulo VI.

Se for com um grupo se recomenda informar ao Vaticano a que paróquia, escola ou coletivo pertence para que se possa anunciar em público antes do início.

O Papa Francisco dedica muito tempo antes da audiência a percorrer a Praça de São Pedro cumprimentando os peregrinos, por isso é bom chegar ao lugar ao menos uma hora antes do início da Audiência.

Os peregrinos podem acompanhar o pedido de bilhetes de entrada com cartas de recomendação de seu pároco ou com alguma explicação dos serviços especiais que prestam à Igreja. O Papa, ao final da audiência, costuma cumprimentar pessoalmente alguns dos peregrinos que vão a Roma.

Também a Prefeitura da Casa Pontifícia regula o acesso às cerimônias litúrgicas que o Papa celebra. É bom pedir as entradas com antecipação e confirmar depois as reservas. Há celebrações como o Natal e a Semana Santa nas que a basílica de São Pedro não pode receber a todos os peregrinos que vão para Roma nesses dias.

O Papa Francisco, desde o primeiro dia de seu pontificado, quis estar muito próximo dos peregrinos. É muito fácil estar perto do Papa, mas é preciso estar atentos: Ele passa antes de começar as audiências cumprimentando e abençoando a todos os presentes. Nas cerimônias, antes da Missa vai recolhido e em silêncio até o altar para celebrar a Missa, mas, quando a liturgia termina, sobe ao papamóvel ou passa pelos corredores da basílica para cumprimentar e abençoar a todos os peregrinos.

Para pedir os bilhetes de entrada é necessário escrever para: Prefeitura da Casa Pontifícia. 00120 Cidade do Vaticano. Deverá indicar: data da audiência geral ou celebração litúrgica; quantidade de entradas solicitadas, nome/Grupo; endereço de correio, telefone e fax.

A Prefeitura enviará uma comunicação em resposta escrita, por fax ou correio normal (não eletrônico), somente a quem reside fora de Roma.

Os bilhetes são inteiramente gratuitos?e deverão ser retirados no Serviço instituído para o efeito situado dentro do Portão de Bronze (colunata da direita, na Praça de S. Pedro) a partir das 15h00 à 19h00 no dia anterior ou mesmo na manhã da Audiência das 08h00 às 10h30; para as cerimônias litúrgicas, desde o dia anterior ou por comunicação prévia.

Para baixar o formulário de pedido pode fazê-lo aqui:

http://www.vatican.va/various/prefettura/po/biglietti_po.html

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

SANTO AGOSTINHO



Santo Agostinho, Bispo de Hipona e Doutor da Igreja


Nasceu em 13 de novembro do 354 em Tagaste, ao norte da África. O pai de Agostinho. Patrício, era um pagão de temperamento violento; mas, graças ao exemplo da Mônica, sua esposa, batizou-se pouco antes de morrer.

Embora Agostinho tenha ingressado ao catecumenato desde a infância, não recebeu o batismo, de acordo com os costumes da época. Em sua juventude se deixou arrastar pelos maus exemplos e, até os 32 anos, levou uma vida licenciosa, obstinado à heresia maniqueísta. Disso fala em seus "Confissões", que compreendem a descrição de sua conversão e a morte de Mônica, sua mãe.
Dita obra foi escrita para mostrar a misericórdia de Deus para um grande pecador, que por esta graça, chegou a ser também, e em maior medida, um grande santo. Mônica tinha ensinado a orar a seu filho desde menino, e lhe tinha instruído na fé, de modo que o próprio Agostinho que caiu gravemente doente, pediu que fosse conferido o batismo e Mônica fez todos os preparativos para que os recebesse; mas a saúde do jovem melhorou e o batismo foi diferido.
O santo condenou mais tarde, com muita razão, o costume de diferir o batismo por medo de pecar depois de havê-lo recebido.

Com o saque de Roma pelo Alarico, no ano 410, os pagãos renovaram seus ataques contra o cristianismo, lhe atribuindo todas as calamidades do Império. Para responder a esses ataques, Santo Agostinho escreveu seu grande obra "A Cidade de Deus". Esta obra, é depois de "As Confissões", a obra mais conhecida do santo. Ela é não só uma resposta aos pagãos, mas também trata toda uma filosofia da história providencial do mundo. Logo depois de
"As Confissões" escreveu também "As Retratações", onde expôs com a mesma sinceridade os enganos que tinha cometido em seus julgamentos.
Morreu em 28 de agosto de 430, aos 72 anos de idade, dos quais tinha passado quase 40 consagrado ao serviço de Deus.

NO CENTRO DA FAMÍLIA




Iniciativas e projetos do Pontifício Conselho - No centro da família


Uma feliz confirmação da centralidade da pastoral familiar e, por conseguinte, também da necessidade de defender o matrimonio, a família e a vida, como faz hoje o Papa Francisco e como já fazia o cardeal Bergoglio, quando era arcebispo de Buenos Aires.
Foi quanto comentou D. Vincenzo Paglia, presidente do Pontifício Conselho para a Família, referindo-se às palavras com as quais o Pontífice, falando com os jornalistas durante o voo de regresso do Rio de Janeiro, antecipou de certa forma que o tema da próxima assembleia geral ordinária do Sínodo dos bispos será de carácter «antropológico» e dirá respeito ao papel da fé na formação da pessoa, com uma atenção específica à família e à pastoral matrimonial.
Também à luz desta atenção privilegiada do Papa e da Igreja, o dicastério continua a sua obra de sensibilização e de mobilização das famílias do mundo. Aliás, através de várias iniciativas na rede abriram-se precisamente nestes últimos dias as inscrições da peregrinação para o Ano da fé, que se realizará em Roma no final de Outubro com a presença do Santo Padre.

POBREZA DO HOMEM




Estamos vivendo os últimos suspiros do verão no hemisfério norte do nosso planeta, apesar do calor que ainda está presente, verão aqui na Itália, que como no Brasil, é sinônimo de férias, um período tão esperado, diria agoniado, por quem trabalha o ano inteiro. Diferentemente do que ocorre no Brasil, onde nossas férias, em geral, são no início do ano ou durante o carnaval, aqui na Europa, nos meses de julho e agosto, o “homem urbano” se transfere para a praia ou para a montanha. Como dizia João Paulo II é o momento de retemperar o corpo, sem esquecer o espírito.

Neste período aqui na Itália, onde tudo pára, até a política dá um tempo, - menos a chegada de imigrantes através do Mar Mediterrâneo - a cidade de Rimini, uma cidade de mar, uma espécie de Rio ao diminutivo, hospeda o “Encontro da Amizade entre os Povos”, promovido pelo movimento Comunhão e Libertação.

Todos os anos discute-se sobre um tema, este ano – o encontro se realizou nesta semana – foi dedicado ao tema “Emergência-homem”. Para a ocasião, o Papa Francisco enviou uma mensagem na qual refletiu sobre a grande urgência da evangelização. O Santo Padre recordou que o homem permanece um mistério, irredutível a qualquer imagem que a sociedade possa formar a respeito. Chama a atenção ainda para o fato de que Cristo é a porta, é o caminho e, assim sendo, sem colocá-lo no centro da vida não será possível entender o mistério do homem.

O Papa Francisco faz uma afirmação importante e ampla: “o poder econômico, político, midiático precisa do homem para perpetuar a si mesmo”. É por isto que muitas vezes procura manipular as massas, induzir desejos, apagar aquilo que de mais precioso o homem possui: o relacionamento com Deus. Aí uma constatação do Pontífice de que o poder teme os homens que estão em diálogo com Deus porque isso os torna livres. Eis, então a emergência-homem que o Encontro de Rimini procurou refletir.

Trata-se, segundo Francisco, de restituir o homem a si mesmo, à sua altíssima dignidade, à singularidade e preciosidade de toda a existência humana, desde a concepção até o fim natural. “É preciso voltar a considerar a sacralidade do homem e ao mesmo tempo dizer com força que é somente no relacionamento com Deus, isso é, na descoberta e adesão à própria vocação, que o homem pode alcançar a sua verdadeira estatura”.

E nesse processo, a mensagem lembra que a Igreja tem uma grande responsabilidade. O Santo Padre volta a falar da necessidade de se cultivar uma cultura do encontro, uma cultura que cada vez mais, apesar de toda a facilidade de comunicação do mundo moderno, está cada vez mais difícil de ser atuada, vivida. E o apelo de Francisco, “vamos com coragem ao encontro dos homens e mulheres do nosso tempo, das crianças e dos idosos, dos cultos e das pessoas sem instrução, dos jovens e das famílias. Vamos ao encontro de todos, sem esperar que sejam os outros a nos procurar!”. Em síntese, devemos levar o perfume do amor de Cristo para fora das nossas realidades, para cada ambiente. Essa a tarefa da Igreja, de todos nós, servir o homem indo buscá-lo nos labirintos sociais e espirituais mais escondidos.

O mundo de hoje vive cada vez mais a angústia do nada, da falta de horizontes, de um vazio que se amplia com a violência do forte sobre o fraco, do poderoso sobre o indefeso. Perdido neste início de século o homem grita por socorro, socorro que só pode vir de um amor sem fim que se consumou numa Cruz. A emergência do homem de hoje e a sua pobreza é a falta de Cristo. (Silvonei José)

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

CRISTÃO E QUEIMADO POR PASTOR



Cinquenta cristãos são queimados vivos em casa de pastor na Nigéria

Os ataques a cristãos continuam com força total da Nigéria. Relatórios apontam que mais de 100 pessoas foram mortas por terroristas armados na semana passada e o grupo extremista islâmico Boko Haram, mais uma vez assumiu a responsabilidade por eles.

Enquanto fontes diferentes contabilizam a quantidade de pessoas que perderam suas vidas na semana passada, uma história divulgada pela Baptist Press chamou atenção.

Cerca de 50 membros da Igreja de Cristo na Nigéria, moradores da aldeia de Maseh, foram queimados vivos depois de se refugiarem na casa de seu pastor quando fugiam de mais um ataque terrorista.

“Cinquenta membros de nossa igreja foram mortos no prédio da igreja, onde tinha ido se refugiar [na casa pastoral]. Eles foram mortos junto com o pastor, sua esposa e seus filhos”, explicou Dachollom Datiri, vice-presidente da denominação Igreja de Cristo na Nigéria.

Lideranças da Igreja confirmaram que mais de 100 membros foram mortos em diversas aldeias na Nigéria, incluindo Maseh, Ninchah, Kakkuruk, Kuzen, Negon, Pwabiduk, Kai, Ngyo, Kura Falls, Dogo, Kufang e Ruk.

“A Nigéria está realmente se tornando um novo campo de morte para os cristãos. Centenas de cristãos já foram brutalmente assassinados pelo Boko Haram, incluindo mulheres e crianças”, disse Jerry Dykst, porta-voz do ministério Portas Abertas nos EUA. ”O Boko Haram divulgou, no início desta semana, uma ameaça que todos os cristãos devem se converter ao Islã ou eles nunca terão paz novamente. Seu objetivo é fazer toda a Nigéria um país governado e dominado pela lei sharia”, concluiu.

Innocent Chukwuma, consultor de justiça criminal da Nigéria, vai mais além. “Eu não acho que o Boko Haram poderia, invadir essas aldeias sozinhos. Eles precisam do apoio e colaboração dos moradores locais”, disse.

O pastor Ayo Oritsejafor, presidente da Associação Cristã da Nigéria, fez um apelo, afirmando que o Boko Haram é uma organização terrorista e pedindo que a comunidade internacional lute contra ela como faz com a Al Qaeda.

“Há certos extremistas muçulmanos que acreditam que a Nigéria deve ser uma nação islâmica e o Boko Haram é o principal órgão desse grupo de pessoas… O país sempre teve uma população muito bem dividida entre as duas grandes religiões [cristianismo e islamismo ], então não é possível simplesmente islamizar a Nigéria “, acrescentou o pastor

terça-feira, 20 de agosto de 2013

ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA



No final de sua vida, no que a tradição chama de “dormição” de Nossa Senhora, contemplamos o dogma que é celebrado neste final de semana:

A Assunção de Maria. Ela foi levada ao céu após a sua peregrinação terrestre, onde levou a vida acolhendo a vontade do Pai, dizendo “sim” a Deus, mas também entre cuidados, angústias e sofrimentos. Por isso, segundo a profecia do santo velho Simeão, uma espada de dor lhe traspassou o coração, junto da cruz do seu divino Filho e nosso Redentor. Com a Assunção, se crê que o seu sagrado corpo não sofreu a corrupção do sepulcro, nem foi reduzido à cinzas aquele tabernáculo do Verbo Divino. Pelo contrário, os fiéis iluminados pela graça e abrasados de amor para com aquela que é Mãe de Deus e nossa Mãe dulcíssima, compreenderam, cada vez com maior clareza, a maravilhosa harmonia existente entre os privilégios concedidos por Deus àquela que o mesmo Deus quis associar ao nosso Redentor. Esses privilégios elevaram-na a uma altura tão grande que não foi atingida por nenhum ser criado, excetuada somente a natureza humana de Cristo.

São João Damasceno, que entre todos se distingue como pregoeiro dessa grande tradição – que por motivações pastorais no Brasil é transferida para o primeiro domingo após o dia 15 de agosto –, ao comparar a assunção gloriosa da Mãe de Deus com as suas outras prerrogativas e privilégios, exclama com veemente eloquência: "Convinha que aquela que no parto manteve ilibada virgindade, conservasse o corpo incorrupto mesmo depois da morte. Convinha que aquela que trouxe no seio o Criador encarnado, habitasse entre os divinos tabernáculos. Convinha que morasse no tálamo celestial aquela que o Eterno Pai desposara. Convinha que aquela que viu o seu Filho na cruz, com o coração traspassado por uma espada de dor, de que tinha sido imune no parto, contemplasse assentada à direita do Pai. Convinha que a Mãe de Deus possuísse o que era do Filho, e que fosse venerada por todas as criaturas como Mãe e Serva do mesmo Deus".

O Catecismo da Igreja Católica explica que "a Assunção da Santíssima Virgem constitui uma participação singular na Ressurreição do seu Filho, e uma antecipação da Ressurreição dos demais cristãos" (966).

A Assunção de Maria ocorre imediatamente depois de terminar a sua vida mortal e não pode ser situada no fim dos tempos, como sucederá com todos os homens, mas tem de considerar-se como um evento que já ocorreu. Ensina que a Virgem, ao terminar a sua vida nesse mundo, foi elevada ao céu em corpo e alma, com todas as qualidades e dons próprios da alma dos bem-aventurados, e com todas as qualidades e dotes próprios dos corpos gloriosos. Trata-se, pois, da glorificação de Maria, na sua alma e no seu corpo, quer a incorruptibilidade e a imortalidade lhe tenham sido concedidas sem morte prévia, quer depois da morte, mediante a ressurreição.

O dogma da Assunção nos dá uma certeza: Maria Santíssima já alcançou a realização final. Tornou-se, assim, um sinal para a Igreja que, olhando para ela, crê com renovada convicção nos cumprimentos das promessas de Deus. Também nós somos chamados a estar, um dia, com a Santíssima Trindade. Olhando para o que Deus já realizou em Maria, os cristãos animam-se a lutar contra o pecado e a construir um mundo justo e solidário para participar, um dia, do Reino definitivo.

Uma mulher já participa da glória que está reservada à humanidade. Nasce, para nós, um desafio: lutar em favor das mulheres que, humilhadas, não têm podido deixar transparecer sua grande vocação. Em Maria, a dignidade da mulher é reconhecida pelo Criador. Quanto nosso mundo precisa caminhar e progredir para chegar a esse mesmo reconhecimento!

A Solenidade da Assunção de Nossa Senhora demonstra a delicadeza de Deus em preservar a Virgem Santíssima da corrupção do pecado original – seu corpo é elevado ao céu! Daí vem a dignidade do corpo humano, da vida humana. É para o cristão também um olhar para o seu destino final.

Neste tempo de tantas mudanças é importante que nos elevemos com Maria. Infelizmente, uma lei aprovada procurando coibir com toda a justiça a violência contra a mulher trouxe consigo outra grande violência: contra a vida. Nesse sentido, ao olhar para a Assunção de Maria nós pedimos a Deus que nos faça testemunhas do Ressuscitado em meio a tantos e complexos problemas que aparecem a cada momento. Urge nunca perder de vista a direção e fazer de tudo para que hoje, escutando a voz do Senhor, caminhemos procurando fazer Sua vontade.

† Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

A CRISMA




A Crisma: Sacramento, Celebração e Padrinhos

A Crisma, ou Confirmação, é o Sacramento pelo qual o batizado é fortalecido com o dom do Espírito Santo, para que, por palavras e obras, seja testemunha de Cristo e propague e defenda a fé. A Crisma é para nós o que Pentecostes foi para os Apóstolos (cf. At 2,1-12).

Nós recebemos o Espírito Santo no Batismo, mas a plenitude dos seus dons recebemos na Crisma.

Aí é que estes dons se manifestam com toda a força. ..- É como a flor que desabrocha e exala seu perfume.

A matéria da confirmação é a unção do Crisma na testa, junto com a imposição das mãos.

A forma é: "recebe por este sinal o Espírito Santo, dom de Deus". O ministro da Crisma é normalmente o Bispo, mas em casos extraordinários ele pode delegar algum padre para crismar.

O sujeito é todo batizado que ainda não tenha sido crismado, pois o Sacramento da Crisma, por imprimir caráter, é irrepetível.

São três os efeitos deste Sacramento:

• o aumento da graça santificante; 

• a graça sacramental específica, cujo efeito próprio são os 7 dons; 

• o aprofundamento do caráter (marca) na alma, que identifica o soldado de Cristo no combate contra o mal.

Para que o Confirmando com uso da razão possa receber licitamente este sacramento, deve estar adequadamente instruído e em estado de graça e deve ser capaz de renovar as promessas do batismo.

Os padrinhos

Quanto aos padrinhos, cabe a eles procurar que seu afilhado se comporte como verdadeira testemunha de Cristo e cumpra fielmente as obrigações deste sacramento. Seria bom que os padrinhos pudessem colaborar na formação do afilhado e eles devem contribuir depois com seu testemunho e sua palavra, para a perseverança na fé e na vida cristã do afilhado. As condições para que alguém seja padrinho de Crisma são as mesmas para o padrinho de Batismo, a saber: ser batizado e maior de 16 anos, ter feito a Primeira Eucaristia, ser crismado e levar vida de acordo com a fé cristã. Seria até conveniente que o padrinho de Crisma fosse o mesmo do Batismo, embora isto não seja necessário. Também hoje em dia não é mais necessário que o padrinho/madrinha seja do mesmo sexo que o/a afilhado/a. por uma questão de prudência, não convém que seja o/a namorado/a.

A celebração

Quanto à celebração, esta geralmente acontece dentro da missa (embora possa ser celebrada sem missa). Após a leitura do evangelho, o Bispo dirige a palavra aos confirmandos, explicando-lhes brevemente o que irão receber. Em seguida, os confirmandos renovam as promessas batismais que tinham feito seus padrinhos, no Batismo. Renunciam ao pecado e professam a fé em Deus. Vem, a seguir, a imposição das mãos e uma oração do Bispo. O padrinho, apresenta, em nome da Igreja, o candidato à Confirmação. O Bispo impõe a mão sobre ele, ungindo-o com óleo (o Crisma), dizendo a forma. Em seguida é saudado pelo Bispo, que lhe deseja a paz, como Jesus a desejou aos Apóstolos. E a Missa prossegue como de costume.

Os dons do Espírito Santo - O que são os dons?

São qualidades que Deus comunica a alma e que a torna sensível à graça e lhe facilita a prática da virtude. Os dons despertam-nos a atenção para ouvirmos a silenciosa voz de Deus em nosso interior, tomam-nos dóceis aos "toques" divinos.

Eis a relação dos dons: Sabedoria, Entendimento, Conselho, Fortaleza, Ciência, Piedade e Temor de Deus (cf. Is. 11,2

O dom da Sabedoria: que nos dá o adequado sentido de proporção para sabermos apreciar as coisas de Deus; damos ao bem e à virtude o verdadeiro valor e encaramos os bens do mundo como degraus para a santidade, não como fim em si. Por exemplo, se você perde o capítulo da novela para ir à reunião na igreja, você foi conduzido pelo dom da Sabedoria, mesmo que não saiba (cf. 1Cor 2,6-10).

O dom do Entendimento: É aquele que nos dá a percepção espiritual necessária para entendermos as verdades da fé ( cf 1Cor 2,14- l 6).

O dom da Fortaleza: Ora, uma vida cristã tem de ser, necessariamente, em algum grau, uma vida heróica. É sacrificar-se, mesmo que venha a ter perdas, por amor a Deus. Em uma palavra, é o dom que nos sustenta nos perigos, temores e tentações, a fim de superarmos as dificuldades espirituais (cf. 2Mac 7,1-42).

A Ciência: Não se confunde com a ciência humana, que é adquirida através dos estudos. Esse dom nos faz olhar o mundo com o olhar de Deus, levando-nos a descobrir nas criaturas visíveis os vestígios da Sabedoria e da perfeição do Criador. Também nos ajuda a distinguir o bem do mal.

A Piedade: Não se relaciona com "ter pena" de alguém, mas este dom nos faz conceber afeto filial para com Deus e sentimentos de fraternidade para com todos os homens, filhos do mesmo Pai. O dom da Piedade nos ajuda a ter gosto, a encontrar o sabor das coisas de Deus.

O Conselho: É aquele dom que nos faz descobrir a decisão certa a ser tomada no momento de hesitação, ajudando-nos aperceber a atitude equilibrada entre posições extremadas. Este dom também nos ajuda a orientar a ajudar a quem precisa.

O Temor de Deus: Não é o mesmo que ter medo de Deus, mas ter uma profunda revereência para com Ele, sabendo que nunca o amaremos como Ele merece. Mas por isso devemos nos esforçar ao máximo para não fazer nada que o desagrade.

Como vimos, todos os dons do Espírito Santo têm como finalidade nos ajudar a viver melhor e testemunhar nossa fé. Os sete dons querem ser um resumo de toda a atividade do Espírito em nós. Existe um grande dom que dá sentido aos demais: é o AMOR. Este é o maior presente do Espírito Santo. Sem ele nossa vida não tem sentido. O amor (ou caridade) é a primeira ação de Deus (Ele cria o mundo por amor) e também a última (em Jesus Ele salvou e continua a salvar todos os homens, até o fim dos tempos). Todos os dons que o Espírito concede só têm valor à medida em que são feitos por amor e no amor.

Para concluir, vale dizer que a palavra dom significa presente, dádiva.

Os frutos do Espírito Santo

Depois de tudo que já meditamos acerca da virtudes naturais, das sobrenaturais e dos dons do Espírito santo, é-nos necessário caminhar um pouco mais, pois, assim como não poderíamos deixar de falar de uma árvore citando sua raiz e tronco deixando de falar sobre seu fruto, da mesma forma não podemos falar das virtudes e dos dons sem chegar aos resultados causados por estes, isto é, os frutos do Espírito Santo: frutos exteriores da vida interior, produto externo da habitação do Espírito em nós.

Os doze frutos perfilam o retrato do cristão. Os frutos são: caridade, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, longanimidade mansidão, fidelidade, modéstia, continência e castidade (cf. Gl 5,22s).

Para o homem frutificar exige-se dele duas coisas que nos são apontadas pelo próprio Cristo: a primeira condição é despojar-se de si mesmo (cf Mc 8,34; Jo 12,24). A segunda é estar em Cristo (cf. Jo 15,2.4-5). Com o Espírito Santo tudo se transforma; em nós Ele produz os frutos como resultado de nossa docilidade.

Quem vive na graça, vê Cristo no seu próximo e sempre o trata com respeito e amor e está sempre disposto a ajudá-lo, mesmo à custa de transtornos e aborrecimentos. O fruto do amor é tríplice: é um amor a Deus, a nós mesmos e aos irmãos, amando-os com o amor de Deus. É a Caridade (Mt 22,38-40; Jo 3,16).

Depois, é uma pessoa alegre e otimista. Parece irradiar um resplendor interior. É uma pessoa fala com a maior delicadeza, vive feliz. É a alegria (cf. FI 4,4.6).

Também é uma pessoa serena e tranquila, é uma pessoa equilibrada, não se deixa abalar por aflições ou angústias, é aquela pessoa a quem se recorre em necessidades. É a paz (cf. Jo 20,19).

Depois, não se irrita facilmente; não guarda rancor pelas ofensas, não se perturba quando as coisas lhe correm mal. Poderá fracassar várias vezes e recomeçará sem ranger os dentes. É a paciência (cf. Ex 34,6).

É amável. Todos o procuram em seus problemas e encontram nele o confidente sincero, interessado. Tem uma consideração especial pelos que de alguma forma sofrem. É a benignidade.

Defende com firmeza a verdade e o direito, mesmo que esteja só. Não está orgulhosa de si nem julga os outros; é lenta em criticar e mais ainda em condenar; suporta a ignorância dos outros, mas jamais compromete as suas convicções, jamais contemporiza com o mal. Em sua vida interior é sempre generosa com Deus, sem procurar a atitude mais cômoda. É a bondade (cf. Cl 3,12-13).

Não se revolta com o infortúnio e o fracasso, com a doença e a dor. Desconhece a auto-compaixão: levantará ao céu os olhos cheios de lágrimas, mas nunca cheio de revolta. É a longanimidade.

A mansidão é a virtude dos fortes. Permite-nos aceitar os acontecimentos que magoam. Ser humilde diante de todas as contrariedades, generosos no esquecimento das mágoas, tudo isso requer heroísmo, daí dizer que é a virtude dos fortes. Ser manso é aceitar a Deus, a nós e aos irmãos.

A fidelidade, fruto do Espírito, é a que nos ajuda a cumprir toda a justiça para com Deus (na medida do que é possível ao homem dar a Deus ) e para com os homens. Tudo, todo esforço é pouco para ouvir daquele que é fiel o convite reconfortante: "servo bom e fiel... entra para o gozo do teu Senhor" (cf. Mt 25,21.23).

Seu amor a Jesus o faz recusar o pecado e de ser ocasião de pecado para alguém. Seu comportamento, modo de vestir e linguagem edifica os irmãos. É a modéstia.

É uma pessoa moderada, que tem as paixões controladas pela razão e pela Graça. Tem verdadeiramente domínio de si. É a continência (cf. 1Pd 5,8-11).

Sente uma grande reverencia perante o fato de Deus ter querido compartilhar seu poder criador com os homens, isto é, para com a capacidade que o homem tem para procriar. Vê o sexo como algo precioso e sagrado a ser usado unicamente dentro do âmbito matrimonial e para os fins estabelecidos por Deus; nunca como fonte de prazer egoísta. É a castidade (cf. 1Pd 5,8-11).

Aqui temos o retrato do homem e da mulher cristãos. Estejamos abertos a ação do Espírito Santo para que em nós Ele possa produzir tais frutos.