quarta-feira, 17 de julho de 2013

JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE




JMJ - Pe. Lombardi: viagem do Papa ao Brasil será emocionante e repleta de encontros

Uma viagem muito significativa a seu continente com um programa denso de eventos, entre os quais uma visita a uma favela, a Vigília de oração com os jovens e a santa missa da Jornada Mundial da Juventude.

Foi o que afirmou o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, durante a coletiva na qual ilustrou à mídia o programa da viagem apostólica do Papa Francisco ao Rio de Janeiro, de 22 a 28 de julho, por ocasião da 28ª JMJ.

A primeira viagem internacional do Papa Francisco à América Latina – portanto, a seu continente (América) – repercorre, com o acréscimo de várias novidades, o itinerário previsto por seu predecessor, Bento XVI.

"O Papa Francisco recebe a herança de Bento XVI. A viagem já estava decidida, mas certamente o programa foi também adaptado, enriquecido por ulteriores eventos com a mudança de Pontificado. Para dar algum exemplo, a peregrinação a Aparecida, ou mesmo a visita à favela, ao hospital, o encontro com o Comitê do Celam. Esses são elementos que não estavam no calendário no primeiro projeto de viagem, elaborado segundo as possibilidades do Papa Bento XVI."

Segunda-feira, 22 de julho, durante o voo para o Rio de Janeiro está previsto o habitual encontro com os jornalistas:

"O encontro se terá, porém o Papa me disse que gostaria de fazê-lo de modo diferente. Não teremos o clássico esquema perguntas-respostas. Disse-me que tem a intenção de cumprimentar todos eles. Certamente será um belo encontro, amplo, cordial, porém não com a fórmula da entrevista com perguntas e respostas."

O Papa chegará ao Rio de Janeiro na próxima segunda-feira, 22 de julho. Para os deslocamentos do Papa pela cidade será utilizado carro fechado para os trechos mais longos, e carro aberto para os trechos mais breves. Não estão previstos compromissos para a terça-feira, dia 23. Na quarta-feira começará um denso programa de encontros e celebrações:

"E será dedicado principalmente a essa peregrinação a Aparecida, fortemente querida pelo Santo Padre que irá à capela do Santuário, onde é conservada a imagem de Nossa Senhora. Depois, se transferirá para a nave da Basílica para a celebração da missa. Ao término, se deslocará para o Seminário "Bom Jesus". Voltará ao Rio de Janeiro e irá diretamente a um hospital da venerável Ordem Terciária Franciscana, concluindo assim o dia de quarta-feira."

Na quinta-feira – prosseguiu Pe. Lombardi – o Papa irá ao "Palácio da Cidade", ou seja, à Prefeitura do Rio de Janeiro, onde abençoará as bandeiras olímpicas. Depois disso, o Papa irá à Comunidade de Varginha, uma favela. Durante o itinerário está previsto que entre numa das casas, onde terá um breve encontro com a família residente. Depois continuará seu itinerário até o campo de futebol e ali terá um encontro com a comunidade. Na parte da tarde se realizará a festa de acolhimento dos jovens em Copacabana, portanto, o primeiro grande encontro do Papa com os jovens da Jornada Mundial da Juventude.

Na sexta-feira – continuou o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé – o dia começará com as confissões numa localidade que se chama Quinta da Boa Vista e está previsto que atenda a confissão de cinco jovens. Após as confissões, o Papa se deslocará para o Arcebispado.

O Papa e o Arcebispo irão à capela, cumprimentarão as irmãs e as pessoas da residência e depois irão à sacada central da residência arquiepiscopal para a recitação do Angeus. Depois, o Papa entrará novamente na residência, cumprimentará o Comitê organizador e almoçará com os jovens, serão 12 jovens. Na parte da tarde – considerando que se trata da sexta-feira – se terá a Via-Sacra e em cada estação se abordará um problema importante na perspectiva dos jovens.

O sábado começará com uma grande missa na Catedral do Rio de Janeiro, com os bispos da Jornada Mundial da Juventude, os sacerdotes, os seminaristas e os religiosos. Após esta missa, o Papa irá imediatamente ao Teatro Municipal do Rio de Janeiro onde haverá o encontro com a classe dirigente do Brasil. Depois disso, o Papa terá um encontro e almoço com os cardeais e bispos do Brasil.

Na parte da tarde se deslocará para o lugar onde se realizarão a Vigília de oração e a missa conclusiva da Jornada Mundial da Juventude. Trata-se de uma área que foi batizada como "Campus Fidei", na localidade que se chama Guaratiba, precisou Pe. Lombardi.

Após a Vigília de oração o Papa retornará ao Sumaré, e os jovens ficarão no Campus Fidei. Na manhã seguinte, domingo, o Papa voltará ao Campus Fidei e, às 10h, teremos a missa conclusiva, a grande missa conclusiva da Jornada Mundial da Juventude. No final será anunciado o lugar da próxima edição da JMJ.

O Papa Francisco será o terceiro Pontífice a visitar o Brasil:

"João Paulo II esteve quatro vezes, Bento XVI uma vez. Agora, na primeira viagem apostólica internacional de Francisco, o terceiro Papa a visitar o Brasil. O Papa foi convidado pelos bispos organizadores e promotores da JMJ e o Papa Francisco confirmara imediatamente, poucos dias após a sua eleição, que faria esta viagem. Portanto, permitiu a toda a organização continuar trabalhando sem incertezas."

Por fim, Pe. Lombardi deteve-se também sobre a situação no Brasil, teatro nas últimas semanas de manifestações de protestos:

"Naturalmente, sabemos que há esta situação nas últimas semanas, nos últimos tempos, com manifestações. Muitos se perguntam se haverá tais manifestações também por ocasião da visita do Papa. Não se sabe. Temos confiança total, como sempre, também na capacidade por parte das autoridades governamentais de gerir de modo crível e bem estas situações. Portanto, iremos com total serenidade, sabendo que estas manifestações não têm nada de específico em relação ao Papa e à Igreja." (RL)

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Como se define se um texto é ou não inspirado?




Com certeza não perguntaram a Deus quais eram os inspirados e os heréticos, portanto foram homens comuns que fizeram essa crucial distinção.
Não estaria a cristandade sendo enganada por engodos há dois mil anos?"

A Igreja é quem define claramente quais são os livros canônicos, pois a ela foi dada a missão de ter o depósito da fé.

Deus não sai por aí respondendo perguntas de curiosos. Deus nos ensina através da Igreja. E Ele, que não pode Se enganar, e nem nos enganar, a revelou.
Não é difícil de entender que Deus Nosso Senhor quis se revelar. Pela forma de suas perguntas, se vê que você parte do principio de que não há intervenção divina na revelação, o que é contraditório. É óbvio que Deus cuida para que a Revelação seja transmitida corretamente, senão para que Ele Se revelaria?

A Revelação não é produto da consciência individual ou coletiva do homem através dos tempos. Ou conjunto de estórias desenvolvidas por grupos como meio de dominação cultural. Isto tudo não é Revelação, por definição.

A revelação é sobrenatural e externa ao homem. Portanto ela não nos chega de modo direto e imediato, mas através da Igreja.

Como a verdade é una, só pode haver uma Igreja que Ele estabeleça para transmitir e guardar a revelação. E essa é a Igreja que Ele fundou: a Igreja Católica.

Cristo, Verbo de Deus, confiou Sua verdade e Sua graça à Igreja Católica, para que transmitisse aos homens de todas as gerações:

"Foi-me dado todo o poder no céu e na terra. Ide, pois e ensinai todos os povos...Eis que Eu estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos" (Mt 28. 18-20)

A garantia de que a Igreja cumprirá  fielmente esta missão não reside em si apenas, enquanto composta de homens frágeis, mas na presença eficaz de Cristo e de Seu Espírito Santo, até a consumação dos tempos (cf. Jo 14, 16-17 e 16, 13-15).

Ora, foram duas as formas de transmitir (tradere) a Revelação: a Tradição (traditio), e as Sagradas Escrituras. Sendo que estas últimas, são posteriores à primeira e necessitam dela para ser retamente interpretadas, pois as Sagradas Escrituras nasceram da Tradição.

O próprio fato da existência e o número dos livros inspirados (canon) só os conhecemos pela Tradição.

O canon bíblico é composto por 45 livros do Antigo Testamento e 27 do Novo Testamento.

Antigo Testamento:

Existem dois cânones do Antigo Testamento: o Alexandrino, também chamado Versão dos Setenta (Septuaginta), que é o verdadeiro e sempre foi utilizado pela Igreja desde o início, e o Palestinense (bíblia hebraica), fixado no séc I de nossa era pela Escola de Jâmnia. Foi usado na Palestina e era o único reconhecido autêntico pelos fariseus.

A Septuaginta é uma tradução para o grego e foi feita no séc. III aC, em Alexandria (Egito), por setenta e dois sábios judeus, em virtude da diáspora. A população judaica nessa cidade já não mais compreendia a língua hebraica. Essa foi a Bíblia adotada pelos Apóstolos de Nosso Senhor Jesus Cristo em suas pregações e textos: das 350 citações que o Novo Testamento faz dos livros do Antigo Testamento, 300 concordam perfeitamente com a versão dos Setenta, inclusive quanto às diferenças com o hebraico. E os fariseus não o condenavam por isto.

Por volta do ano 100 dC, os judeus da Palestina se reuniram em um sínodo na cidade de Jâmnia e estabeleceram alguns critérios para formarem o seu cânon bíblico, tais como: o livro não poderia ter sido escrito fora do território de Israel, o livro não poderia conter passagens ou textos em aramaico ou grego, mas apenas em hebraico, o livro não poderia ter sido redigido após a época de Esdras (458-428 aC), etc.

Por causa desses critérios nacionalistas, os livros escritos pela comunidade judaica do Egito não foram reconhecidos pelo sínodo de Jâmnia. Esses livros não reconhecidos e que aparecem na tradução dos Setenta são tecnicamente chamados de deuterocanônicos, por não terem sido unanimemente aceitos. São, portanto, deuterocanônicos no Antigo Testamento os seguintes livros: Tobias, Judite, Baruc, Eclesiástico, Sabedoria, 1Macabeus e 2Macabeus, além das seções gregas de Ester e Daniel.

Durante muito tempo vingou entre os eruditos não católicos, isto é, hereges protestantes, a teoria de que o cânon alexandrino tinha ampliado o cânon hebraico, o palestinense. O chamado sínodo de Jamnia não teria reconhecido este acréscimo, e por isso não reconheceu como inspirados os deuterocanônicos. Esta tendência era comum entre os reformadores do século XVI.

Recentemente, porém, graças às descobertas de Qûmram, mais conhecidos como Manuscritos do Mar Morto, o cânon tradicional católico foi mais uma vez confirmado, porque se descobriu que aquela comunidade hebraica mais antiga dispunha de uma coleção semelhante à tradução dos Setenta. Ou seja, não foram os alexandrinos que ampliaram o catálogo dos Livros Sagrados, mas a Escola de Jamnia que o reduziu.

Portanto se vê claramente, inclusive pelas pesquisas mais recentes, que o cânon da Igreja sempre foi o correto. Qualquer historiador honesto reconheceria isto.

Novo Testamento:

Foi mais fácil se ter o controle da canonicidade dos livros do Novo Testamento, pela própria organização da Igreja nos primórdios do Cristianismo. Com a doutrina integra, e principalmente com a Tradição, os primeiros cristãos tinham a mesma doutrina que temos hoje. O primeiro critério de canonicidade é óbvio: a integridade da doutrina.

Desde os tempos remotíssimos, documentos episcopais, sinodais, e também papais, recusavam os apócrifos e davam a lista completa dos escritos canônicos. Assim por exemplo, a Carta Pascal de Santo Atanásio (367) relaciona todos os 27 livros do Novo Testamento, aí incluída a Epístola aos Hebreus, a segunda e a terceira de São João e a de São Judas Tadeu, sobre as quais havia antes algumas dúvidas. Em Santo Atanásio temos um testemunho autorizado do Oriente; no Ocidente temos a lista completa dos 45 livros do Antigo Testamento, e dos 27 do Novo no decreto do Papa São Damaso (382), lista que se repete nos Concílios de Hipona (393) e de Cartago (397) e na carta do Papa Inocêncio I a Exupério, bispo de Toulouse (405), e, bem mais tarde, no sínodo "in Trullo" de 692.

Fora esses livros tidos como canônicos desde os primórdios, é tudo apócrifo.

sábado, 13 de julho de 2013

OS DONS RECEBIDOS NO BATISMO, REFLETE MARIA!





Nada mais banal do que o correr das águas num rio; entretanto, nada mais emocionante e grandioso do que o momento em que as sagradas águas do Batismo caem sobre a cabeça do neófito, pois é neste momento que Deus infunde na alma as virtudes teologais e cardeais, que inclinam a vontade à realização de boas obras. Entretanto, devido à imensa fragilidade do homem após o pecado original, as virtudes não são suficientes para fazê-lo viver com toda a perfeição. Por este motivo, Deus concede também os sete dons do Espírito Santo — entendimento, sabedoria, ciência, conselho, fortaleza, piedade e temor de Deus — que são “hábitos sobrenaturais infusos, que agem sobre as virtudes, fortalecendo-as, tornando-as mais robustas e conduzindo-as a seu pleno desenvolvimento”.1
Por meio deles o cristão recebe não um convite sobrenatural comum para praticar o bem ou evitar o mal, como é próprio às virtudes, mas uma moção especial do Espírito Santo que o impele a executar aquilo que o próprio Deus deseja.2 Ou seja, requer da pessoa mais docilidade que atividade.

Como se sabe, cada um dos dons está relacionado de forma especial com a perfeição de alguma virtude: a caridade é aperfeiçoada pelo dom de sabedoria; a fé, pelos dons de ciência e entendimento; a esperança e a temperança, pelo temor; o dom de conselho aperfeiçoa a prudência, o de piedade, a justiça; o dom de fortaleza, a virtude da fortaleza. Ora, como atuam eles numa alma que já possui a plenitude de todas as virtudes, como é o caso de Maria Santíssima, a quem o Arcanjo chama “cheia de graça?” (Lc 1, 28).

Por serem hábitos sobrenaturais, os dons do Espírito Santo seguem proporcionalmente a graça, de maneira que, quanto mais perfeita é uma alma, maior é a atuação dos dons. Portanto:

“Depois de Cristo, a Mãe de Jesus, Mãe de Deus e dos homens, Mãe do Cristo total foi a alma mais dócil ao Espírito Santo. […] Cada um de seus atos conscientes procediam d’Ela e do Espírito Santo e apresentavam a modalidade deiforme das virtudes perfeitas sob o regime dos dons”.3

Existe um dom atribuído de forma especial a Maria, o qual desabrochou em uma das mais belas e recorridas invocações: Mãe do Bom Conselho. Como atua este dom em sua alma?

O dom de conselho é um hábito sobrenatural que dá à alma a capacidade de julgar pronta e seguramente, por uma espécie de intuição sobrenatural, o que convém fazer, sobretudo nos casos difíceis. O objeto próprio deste dom é a boa direção das ações particulares. É ele que permite ao cristão conciliar a simplicidade com a astúcia, a firmeza com a suavidade.
Em Nossa Senhora, este dom regia até mesmo as mais insignificantes ações. De fato, ao girar, por exemplo, a maçaneta de uma porta, Ela dava mais glória a Deus do que muitos outros santos no momento em que foram martirizados.4 Todos os seus atos se realizavam sob a inspiração do Espírito Santo, da maneira mais conveniente para a glória de Deus e cumprimento de seus divinos desígnios de salvação.5 Por isso, a Ela podem se aplicar, com toda propriedade as palavras da Escritura: “O conselho te guardará e a prudência te preservará” (Pr 2, 11).

Segundo Roschini, o dom de conselho manifestou-se de forma especial em duas ocasiões da vida de Maria Santíssima. Em sua apresentação no Templo, quando discerniu ser da vontade divina firmar, desde a infância, o voto de virgindade, e no momento da Anunciação, em que, antes de manifestar seu consentimento para a Encarnação do Verbo em seio puríssimo, quis conhecer as disposições divinas e só então, ofereceu-se totalmente ao Senhor.6 E acrescenta Alastruey ainda outra passagem do Evangelho:

Este dom de conselho brilhou no mais alto grau nas bodas de Caná; porque, não querendo seu Filho fazer o milagre que Lhe pedia, Ela, sem embargo, adverte solícita aos ministros, dizendo: Fazei o que Ele vos disser (Jo 2, 5); a respeito do que comenta Gardeil: ‘Ela ordena aos servidores que façam tudo o que disser seu Filho, e o milagre se realiza. Seu conselho prevaleceu, porque era no fundo o conselho de um amor inspirado pelo Deus da misericórdia.7

Uma vez que o bem é altamente difusivo, não poderia ser que Maria Santíssima guardasse para Si esta especial dádiva divina. Inúmeras vezes deve ter dado Ela mostras de seu conselho: o que não terá dito em sua visita a Santa Isabel, ou como aconselhou a São João Evangelista a voltar para o Senhor depois de ter fugido no momento da prisão no Horto das Oliveiras, ou ainda, como Ela orientou e sustentou a Igreja após a morte de seu Filho?

Se tantos foram seus conselhos durante a vida nesta Terra, com que profusão não se derramarão agora sobre seus filhos? “Nossa senhora como nossa Mãe […], tem o movimento próprio d’Ela a nos aconselhar. […] Ela nos torna presente que em todas as ocasiões difíceis de nossa vida nós devemos nos voltar para Ela e pedir esse tesouro que é o bom conselho”.8

“É feliz, diz Maria, quem ouve meus conselhos e está continuamente junto às portas de minha misericórdia, invocando minha intercessão e socorro”.9 Saibamos, pois, recorrer a este Bom Conselho.


Fonte: Ariane Heringer Tavares, iftearautos

SAGRADA COMUNHÃO




A dignidade para receber a Sagrada Comunhão: princípios gerais

O presente memorandum foi enviado pelo Cardeal Ratzinger para o Cardeal McCarrick e tornou-se público na primeira semana de julho de 2004. Este texto insere-se no debate ainda hoje em curso nos Estados Unidos sobre o tratamento a dar aos políticos abortistas ditos católicos.
O Cardeal Ratzinger, atendendo a consulta dos bispos americanos, lembra a excelsa dignidade da Eucaristia e o dever do ministro de negar a Santa Comunhão “nos casos de excomunhão declarada, de impedimento declarado ou de persistência obstinada num pecado grave manifesto”.
O texto é interessante também por afirmar o diferente peso das questões morais –  a defesa do aborto e eutanásia são absolutamente inaceitáveis –  e a possibilidade de discordar do ensinamento do Papa em certos pontos de seu ensinamento – como em relação à pena de morte ou à guerra justa.

Cardeal Joseph Ratzinger - Prefeito, Congregação para a Doutrina da Fé

1.     Apresentar-se para receber a Sagrada Comunhão deveria ser uma decisão bem refletida, fundada em um julgamento racional sobre a dignidade para fazê-lo, segundo os critérios objetivos da Igreja, colocando-se certas questões como: “Eu estou em plena comunhão com a Igreja Católica? Eu sou culpado de um pecado grave? Eu incorri em alguma pena (por exemplo uma excomunhão ou uma interdição) que me impede de receber a Sagrada Comunhão? Eu me preparei com jejum de pelo menos uma hora?”. A prática de se apresentar à Sagrada Comunhão indiscriminadamente, meramente como consequência de se estar presente na missa, é um abuso que deve ser corrigido (cf. Instrução Redemptoris Sacramentum, nº 81, 83).

2.     A Igreja ensina que o aborto ou a eutanásia são pecado grave. A Encíclica Evangelium Vitae, que faz referência às decisões da justiça ou às leis civis que autorizam ou promovem o aborto ou a eutanásia – estabeleceu que existe “uma grave e precisa obrigação de se opor [a essas práticas] pela objeção de consciência. [...] No caso de uma lei intrinsecamente injusta, tal qual a que admite o aborto ou a eutanásia, não é lícito, jamais, obedecê-la ou ‘participar de uma campanha de opinião em favor de uma tal lei ou votar por ela’” (n. 73). Os cristãos têm “uma grave obrigação de consciência de não colaborar formalmente às práticas que, ainda que admitidas pela legislação civil, estejam em oposição à Lei de Deus. De fato, do ponto de vista moral, não é jamais lícito cooperar formalmente com o mal. [...] Esta cooperação não pode nunca ser justificada invocando-se o respeito da liberdade dos outros ou apoiando-se sobre o fato de a lei civil prevê-la ou requerê-la” (n. 74).

3.     As questões morais não têm o mesmo peso moral que o aborto ou a eutanásia. Por exemplo, se um católico estivesse em desacordo com o Santo Padre sobre a aplicação da pena capital ou sobre a decisão de fazer a guerra, ele não seria considerado, por esta razão, como indigno de se apresentar para receber a Sagrada Comunhão. Se por um lado a Igreja exorta as autoridades civis a buscar a paz e não a guerra e a fazer prova de moderação e de misericórdia na aplicação das penas aos criminosos, por outro lado poderá ainda ser permitido tomar as armas para expulsar um agressor ou recorrer à pena capital. Pode haver uma legítima diversidade de opiniões, mesmo entre os católicos, sobre a decisão de se fazer a guerra ou de se aplicar a pena de morte, mas em nenhum caso sobre o aborto e a eutanásia.

4.   Independentemente do julgamento que cada um faz sobre sua própria dignidade de se apresentar para receber a Santa Eucaristia, o ministro da Sagrada Comunhão poderá se encontrar em uma situação na qual ele deva se recusar a distribuir a santa comunhão a alguém, como nos casos de excomunhão declarada, de impedimento declarado ou de persistência obstinada num pecado grave manifesto (cf. Can. 915).

5.     No que concerne os pecados graves de aborto e eutanásia, quando a cooperação formal de uma pessoa se torna manifesta (compreendida, no caso de um político católico, como uma consistente campanha ou votação por leis permissivas sobre aborto e eutanásia), seu pastor deveria encontrá-lo, instruindo-o acerca do ensinamento da Igreja, informando-o de que ele não deve se apresentar à Sagrada Comunhão até que ele tenha colocado fim em sua situação objetiva de pecado, e advertindo-o de que, caso isso não seja feito, a Eucaristia lhe será negada.

6.    No caso em que “tais precauções não tenham obtido efeito ou não tenham sido possíveis” e se a pessoa em questão, dando provas de obstinada persistência, ainda sim se apresentasse, apesar de tudo, para receber a Santa Eucaristia, “o ministro da Sagrada Comunhão deve recusar-se a dá-la” (cf. Declaração do Conselho Pontifício para os Textos Legislativos, “Sobre a admissão à Santa Comunhão dos fiéis divorciados que contraíram novas núpcias”, 2000, nº 3-4).

Esta decisão não é propriamente uma sanção ou uma penalidade. Tampouco trata-se do ministro da Sagrada Comunhão a formular um juízo sobre a culpa subjetiva da pessoa; na verdade, é uma reação do ministro ao desmerecimento público dessa pessoa em receber a Sagrada Comunhão em razão de uma situação objetiva de pecado.

[N.B. Um católico seria culpável de cooperação formal com o mal – e então indigno de se apresentar à santa comunhão – se ele votasse deliberadamente em um candidato precisamente por causa da posição permissiva desse candidato a respeito do aborto e/ou da eutanásia. Quando um católico não compartilha da posição de um candidato a favor do aborto e/ou eutanásia, mas vota nele por outras razões, esta é considerada como cooperação material remota, a qual pode ser permitida face a razões proporcionados.]




Fonte: Montfort Associação Cultural

AMOR FRUTO DA CARIDADE




Todo ser busca, com afinco, o bem e deste encontro decorre a alegria. Mas, qual bem pode nos trazer alegria a ponto de sa
ciar todo desejo e não dar margem a nenhum tipo de decepção? São Tomás esclarece que, muito além de ser uma simples paixão, a alegria é o fruto mais arrebatador do amor a Deus, pois “o amor é o primeiro movimento da potência apetitiva do qual resulta o desejo e a alegria.1”

Segundo Pe. Royo Marín, O.P.2, para que um objeto seja a causa de alegria e felicidade perfeita para o homem, ele deve resumir em si quatro condições essenciais: ser o bem supremo que não compita com outro maior; excluir toda e qualquer mescla de mal; saciar por completo todas as aspirações do coração humano; e, por último, ser estável, ou seja, que uma vez obtido não possa ser perdido.
Segundo este moralista, tais requisitos não são cumpridos por nenhum dos seres criados, sejam eles dinheiro, fama, glória, beleza, etc.; essa tese é confirmada taxativamente pela Santa Mãe Igreja (CCE 1723): “a verdadeira alegria não está nas riquezas ou no bem-estar, nem na glória humana ou no poder, nem em qualquer obra humana por mais útil que seja, como as ciências, a técnica e as artes, nem em outra criatura qualquer, mas apenas em Deus, fonte de todo o bem e de todo amor“.

O Pe. Royo Marín dá as razões: as riquezas, por exemplo, além de fomentarem progressivamente o desejo de mais fortunas, não excluem certos infortúnios como enfermidades e mortes, e podem ser perdidas por qualquer eventualidade. Similarmente, as honras, a fama e o poder são instáveis, pois cessam após a morte. Quem, por exemplo, se lembra hoje das personalidades que encheram os jornais de há um século? Ademais, saúde, beleza, força, enfim, dentre todos os bens corpóreos, nenhum deles são bens supremos, pois o corpo é a parte inferior do homem, além do que também findam com a morte. Neste sentido, Monsenhor João Scognamiglio Clá Dias dá um interessante depoimento:

Eu conheci pessoas riquíssimas em minha vida. Viajando de lá para acolá, conheci reis de petróleo, conheci magnatas de grandes fortunas: deprimidos, cheios de tiques nervosos, [...] porque a qualquer momento podia ser que acontecesse isto, acontecesse aquilo, que perdesse isso, perdesse aquilo. Eles não se davam conta que iriam perder tudo na hora da morte, porque [...] passariam para a eternidade sem levar nada.3

Tampouco a ciência preenche as condições necessárias para ser a razão da alegria humana, pois esta pode ser perdida pelas doenças mentais, além de não saciar o homem, a ponto de o próprio Sócrates afirmar: “Só sei que nada sei”.

Por fim, o Pe. Royo Marín ousa dizer que nem sequer na virtude – no sentido estrito da palavra – pode consistir o gozo perfeito, posto que não pode ser completa nesta Terra, nem é estável já que pode-se perdê-la pelo ímpeto das paixões.

Definitivamente: o único que pode nos fazer felizes é Deus. É como aconselha Tomás Kempis em sua obra “Imitação de Cristo”: “Tende por vã toda consolação que venha da criatura. A alma que ama a Deus despreza tudo abaixo de Deus. Só Deus, eterno e imenso, preenche tudo, Consolação da alma e verdadeira Alegria do coração4”.

E realça L. Desiato que “não adianta procurá-la [a felicidade] dando uma volta pelo mundo, ela está dentro de nós, no sorriso de uma Presença”5 ; e é, também, o que reconhece o Bispo de Hipona: “quando busco a Vós, Deus, busco a vida bem-aventurada6” .

Quando nós colocamos um amor meramente humano, quando nós colocamos a esperança meramente humana, quando nos aferramos a qualquer coisa puramente natural, aí vem a decepção. Por quê? Porque quando nós entregamos o nosso coração, nós estamos à procura de um infinito, de um Ser absoluto, de Deus. E muitas vezes nós, por equívoco, acabamos colocando nossa esperança em algo que não é Deus, e isso não nos traz o saciar deste anseio que eu levo dentro da minha alma, que é o anseio de Deus. O único ser que apaga este fogo, este anseio de felicidade que é de felicidade infinita – eu quero esta felicidade infinita porque eu fui criado para ela –, o único ser [que a sacia] é Deus, é Nosso Senhor Jesus Cristo, é a Religião, é ter a graça de Deus.7

Para vermos como a alegria verdadeira só se encontra no âmbito sobrenatural, tomemos a figura de Napoleão Bonaparte.

[Ele foi] um homem que fez uma carreira brilhante, galgou imediatamente, em pouco tempo, o posto de imperador da Europa. Era cultuado por todos, aplaudido por todos… [...] ele teve uma vida de triunfos magníficos. Pois bem, Napoleão Bonaparte quando perguntaram a ele qual foi o dia mais alegre, mais feliz da vida dele, ele disse que foi o dia da Primeira Comunhão.8

“O que permanece no amor, permanece em Deus e Deus nele” (I Jo 4, 16)

Contudo, a alegria é produzida pela obtenção de um bem presente, pois, de outro modo, seria apenas um desejo; e o Catecismo da Igreja Católica (CCE1718) afirma que este, por assim dizer “instinto natural”, Deus o pôs na alma humana a fim de atrair-nos a Ele. Mas, sendo Deus infinito, como poderia o homem obter a Deus? Esta resposta, a dá, de forma magistral, o Doutor Angélico:

[A caridade] produz no homem a perfeita alegria. Com efeito, ninguém tem verdadeiro gáudio se não vive na caridade. Porque qualquer um que deseje algo, não goza nem se alegra nem descansa enquanto não o obtém. E nas coisas temporais ocorre que se apetece o que não se tem, e o que se possui se despreza e produz tédio; mas não é assim nas coisas espirituais. Pelo contrário, quem ama a Deus o possui, e por isso o ânimo de quem O ama e O deseja n’Ele descansa.9

Portanto, só a caridade nos dá a possibilidade de possuir a Deus, pois como afirma São João: “Deus é amor, e quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele” (I Jo 4, 16). A caridade dilata o nosso coração para que, já nesta Terra, possamos abarcar um pouco mais do que nossa capacidade humana conseguiria, a infinitude do Criador.

Acrescenta ainda Monsenhor João Scognamiglio Clá Dias:

O modo de participarmos de Nosso Senhor Jesus Cristo e permanecermos n’Ele e na alegria d’Ele, é [...] estar participando daquilo que Ele é. O que Ele é? Ele é a Alegria. Ouçam como soa mal: “Deus é a depressão. Deus é o desânimo. Deus é a tristeza”. Alguém dirá: “Você é um louco. Fora daí!” Porque se há algo que eu não posso dizer é isso. Mas eu posso dizer: “Deus é a Alegria!” E Ele, portanto, quer transferir a nós essa alegria. Como recebemos essa alegria? É permanecendo no amor d’Ele, é permanecendo n’Ele, é obedecendo as leis morais que Ele pôs.10

Ora, Deus é amor e é alegria; logo, para se ter alegria é preciso ter amor a Ele.

segunda-feira, 8 de julho de 2013